li < eu vi anteontem, acho...: June 2006

eu vi anteontem, acho...

livros, cerveja e vinho, filhos, música.

My Photo
Name: Arturo O.Bandini
Location: Santos, SP, Brazil

vou esperar meus filhos crescerem pra me dizer

Friday, June 30, 2006

Alemanha 1 x 1 Argentina


Tudo bem que os jogadores argentinos são birrentos, catimbeiros e irritantes. Mas sabem jogar bola e tem uma coisa que os nossos não tem, garra. No jogo de hoje comecei torcendo para a Alemanha mas no decorrer fui vendo quem estava jogando mesmo futebol. No final não torcia mais para ninguém e até me deu pena da desclassificação portenha.

Quem gosta de assistir bom futebol perdeu com as defesas de Lehmann.

Thursday, June 29, 2006

Clima pesado


Ontem a noite, eu e professor Quasímodo no laboratório de informática 4 aplicando exame. Entra o professor Casmurro:
- E aí Bandini!! Oi, Quasímodo!
- Fala Casmurro!!!
(em voz baixa:)
-Cês já tão sabendo? o Botelho (nosso coordenador) disse que os professores Fulano e Beltrano vão ser demitidos.
(caras de espanto).
Eu:
- Mas por alguma coisa específica? Algum problema?
-Não, pelo jeito por nada. Até mais.

Ficamos eu e o professor Quasímodo conversando em voz baixa: em dezembro foram 3 da área demitidos, agora mais 2, todos aparentemente sem motivos. O número de alunos no curso aumentando, o número de cursos duplicando, a universidade construindo outro prédio...Seria assim, aleatório? O pior, quando o aleatório nos encontrará?

Minto. Ficamos eu, o professor Quasímodo e um urubu azul de 2 metros e trinta de altura que, dizem, atende pela alcunha de "bilhete".

Lá vem o trem


Estava nessa bar - acho que era padaria - no canal 3 com a Francisco Glicério, vem o trem. Cidade de porto tem disso, mesmo distante do cais surge um monstrengo apitando, fazendo o trânsito, já confuso, parar.
Fui contando os vagões até o 50 daí desisti até porque não sabia se a conta estava certa. Sempre que vejo uma composição bruta se arrastando com aquele ruído metálico, as rodas sujas e pesadas, lembro do Roberto Carlos, a história da perna.

Lembrei também de um aluno que chegou na escola com o braço enfaixado.

-O que aconteceu?
-Fui atropelado pelo trem.

Olhei para as pernas e braços, estavam todos lá.
Depois me contaram que os pais não ligavam para o garoto e ele queria chamar a atenção.
Ou seja, ele atropelou o trem mas com cuidado para que nenhum dos dois se machucasse.

Fazer nada

Já é mania, depois do sebo procuro um lugar para tomar cerveja e folhear os livros recém adquiridos, olhar o movimento e escrever o que der na telha. Muitas vezes o copo suado da cerveja molha os guardanapos que me servem de caderno e as letras ficam por lá mesmo, grudadas na mesa.

Vale o pensar na vida.

Aquele troço antigo, o livro


Diabo Branco se foi, necessário arrumar outro. Podia fuçar prateleiras na Pequenoteca mas só por conhecer a capa dos livros não lidos não deu vontade.
Livraria? Claro que não, as fraldas e o Toddy dos pequenos levam tudo. Sebo. O que eu mais gosto, na rua Goiás, organizado sem que isso pese nos preços.
Faço sempre o mesmo caminho, escritores não sei de onde, A,B,Calvino,D,E,Fitzgerald, G,Hemingway,I,J,Kafka,Kundera... Daí os escritores daqui, mas começo pelo fim, pelo Ziraldo, e vou ao contrário.
Por 16 reais saí com "O Ventre" e "Pessach, A Travessia", do Cony, e Pais e Filhos, do Turgéniev (de quem, aliás, nunca li nada).

Tuesday, June 27, 2006

Brasil 3 x 0 Gana


Hoje é terça feira e o que mais gostei, mesmo, juro, foi do clima. Baita sol, nenhuma nuvem no céu e um friozinho gostoso de sentir. Lembrou muito as viagens que fazíamos (e se tudo der certo voltaremos a fazer quando os pequenos crescerem um pouco mais) para o sul.

A segunda coisa que gostei foi assistir ao jogo tosco entre Espanha e França. Medíocres. Piores que nós. Pode ser que contra o Brasil joguem tudo e ganhem mas hoje foi triste. Gostei porque nosso próximo adversário parece fraco (parece, se ganharem no sábado podem pregar na minha testa, como um zap).

A terceira foi a vitória do Brasil. Sim, ganhamos de 3, mas aquele tipo de joguinho me irrita. Talvez seja problema meu, pode ser. Vai contra um conceito que tenho em qualquer área, o de que "os fins justificam os meios". Jogamos mal, feio, erramos passes, "mas tá vendo, ganhamos". Futebol de resultados.

Mas não posso me queixar da terça.

Enquanto Gana não vem...


Fazendo hora na escola sem alunos, esperando o jogo do Brasil, caí em www.placasridiculas.com.br . Dá para rir um pouco e o tempo passa que é uma beleza...

Acho que pedindo com tanta educação todo mundo fecha o portão do coitado...(o endereço hpg que aparece na foto é antigo)

Esta é clássica...

...apesar de grosseira. Mas se tem alguém tão irritado assim é porque o bando de filho da p* sem costume andou abusando...

Monday, June 26, 2006

O filme do John


Com Charles Bukowski descobri John Fante e em 2003, bem na época em que estava em São Paulo acompanhando o nascimento dos gêmeos, li Pergunte ao Pó. Em 2005, quando criei o blog, precisava de um nome e sobrenome - ali Arturo Bandini saiu do livro do Fante, ganhou um O. e nasceu no Eu vi Anteontem, Acho.

Agora está no cinema. Não assisti mas como li o livro não me animo muito. Em todo caso, se cruzar comigo por aí numa tela maior do que 1024 X 768 provavelmente não sou eu.

A música do Mark


Em meu perfil confesso que sou fã do Dire Straits. Portanto natural ter gostado do lançamento de All the Roadrunning, do Mark Knopfler com a cantora de country Emmylou Harris, a quem realmente não conheço. O disco, segundo a reportagem da Folha, chegou no meio da Copa do Mundo. Normalmente já seria ignorado mas em meio a tanta "futebolísse" sumiu antes de aparecer.

Baixei duas músicas, "This is Us" e "I Dug Up a Diamond", e gostei bastante do resultado. Vale a pena ouvir algo diferente do que o grito das torcidas e o apito dos juizes.

"cuidado, cachorro bravo"


São os avisos que você encontra ao redor do Clube de Regatas Santista. Aí aprendi a nadar, fui a shows da Blitz, do Barão e do Paralamas, tomei um monte de cervejas na festa de casamento de meu irmão Mr.R.

Fechado, guardado por ferozes quadrúpedes, que triste fim...

A foto, de 1971, e o texto abaixo são daqui.

A vida de Santos sempre girou em torno do mar, do porto. Foi desta relação que surgiu o primeiro esporte praticado na Cidade e também um dos que mais títulos lhe proporcionou, o remo. Para reviver a gloriosa trajetória da modalidade, é preciso voltar ao final do século XIX, com a fundação dos primeiros clubes de regatas. O primeiro em Santos e no Estado é o Clube de Regatas Santista, de 30 de abril de 1893. A seguir vieram o Clube Internacional de Regatas (1898), o Clube de Regatas Saldanha da Gama (1903) e, mais tarde, o Clube de Regatas Vasco da Gama (1911).

Santos tornou o remo popular, ganhou muitos títulos, promoveu campeonatos e provas e fez grandes remadores. Em 1930, a crise econômica do café refletiu no remo, um esporte caro que também foi perdendo espaço para outras modalidades. As regatas passaram a ser realizadas em datas comemorativas, até que foram desaparecendo. Os amantes do esporte ainda tentaram reerguê-lo sem sucesso.

regatas em Santos


Anteontem fomos a uma festa junina. Tirando o fato de acontecer em junho não lembra muito as festas antigas, com fogueira e pau de sebo. Bandeirinhas coloridas, música no máximo - será que pensam que os caipiras são surdos? - nossa afilhada, a pequena Capi, dançou com a turma da escola.

Mas comecei a escrever sobre isso não por causa da festa e sim pelo local. Este ano foi no clube de Regatas Vasco da Gama, nada a ver com o carioca. É um dos "clubes da Ponta da Praia", tradicionais em Santos. O primeiro foi fundado em 1893 e são "vizinhos de muro" mesmo: Internacional de Regatas, Regatas Santista, o Vasco e o Saldanha da Gama.

Qualquer um que more em Santos há uns anos já foi a um show, festa de casamento ou formatura nos salões desses clubes. Entretanto a diminuição de sócios e o excessivo número de sócios remidos - que não pagam mensalidade - levou os clubes à beira da falência.

O Regatas Santista, maior e mais antigo, ainda foi condenado a pagar indenização as famílias de jovens mortos num acidente num show da banda Raimundos. Está fechado e a venda enguiçou graças a intervenção dos vereadores.

Caminhando pelas áreas do Vasco, no sábado, vi algumas janelas caindo, alambrados enferrujados, vidros e ladrilhos quebrados, uma pena. Parece que resta esperar a venda dos terrenos e a construção de prédios de luxo no lugar...

(na foto, do Google Earth, marquei em azul a área ocupada pelos clubes - um prato cheio para especulação imobiliária)

Friday, June 23, 2006

Reza porque é jogão


O duelo mais interessante das oitavas, Holanda e Portugal. Imagino os blogueiros Nuno, Emília, Catarina e Lenca torcendo de um lado e meu amigo Frans, de Hoofddorp, torcendo de outro. Para mim fica o filé: assistir a um jogo sem torcer, só pelo futebol mesmo.
A carne de pescoço vem na terça-feira com Gana.

Aliás, falando em Portugal, ouvi no rádio o seguinte comentário sobre Cristiano Ronaldo (tinha que ter Ronaldo no nome...): "é um belo jogador. O problema é que ele dá um drible e olha para o telão do estádio para ver como ficou a cena, se o cabelo está no estilo, se a pose está bonita. Só então dá continuidade ao lance."

Diria que não é só ele que faz isso.

Brasil 4 x 1 Japão


Tá bom, jogamos bem. Até o Sr. Barriga fez dois gols. O Galvão Bueno (se o pessoal de Portugal tem a sorte de não conhecê-lo permitam-me o desprazer de apresentá-lo: locutor da tv Globo que ou recebe "jabá" para elogiar ou é apaixonado pelo camisa 9) teve dois orgasmos. Para 90 minutos até que está bom.

O Brasil jogou com velocidade, envolvente, deu gosto de ver, tudo o que o Ronald Parreira Golias não gosta. Me pergunto por que não pode ser sempre assim.

Voltando a dupla Ronaldão e Adriano voltamos a tática bem definida pela rádio Bandeirantes como "dois jegues puxando a carroça". Esperemos que a Nike permita e os reservas joguem.

(na foto vemos toda a inteligência, finesse e elegância da mulher brasileira. Posso estar enganado mas atrás me parece o Cafú de peruca.)

O mesmo mundo sempre

Estou lendo O Diabo Branco, do Tolstoi. Foi escrito entre 1896 e 1904 e tem como fundo contendas bélicas entre russos e tchetchenos. Cem anos se passaram e parece que continua tudo na mesma.

Só tomando várias!


Nessas épocas de final de semestre somos obrigados a ouvir tanto choramingo de aluno, a corrigir tantos absurdos, a aguentar e-mails de súplicas e explicações, a manter o rumo perante tantas confusões sem sentido que a sala dos professores bem merecia um galão como o da foto em lugar da velha água mineral...

Wednesday, June 21, 2006

Amigos


Quando um desocupado pulou nosso muro para roubar um botijão de gás tivemos que agir rápido (aliás, na hora Ludmilla agiu: gritou "socorro" tão alto que o fulano correu assustado).

Levantamos os muros do quintal e colocamos arame farpado. Desagradável. Arames farpados, cercas elétricas, essas coisas dão um ar presidiário ao dia a dia.

Bom que alguns conhecidos ainda frequentam a casa em busca de água com açúcar.

Exército nas ruas


Os pequenos Bandini ganham muitos brinquedos de todos os tipos: de plástico, de corda, a bateria, a pilha, barulhentos, coloridos, massilentos, gosmentos, que desmontam, que quebram (e o vovô conserta) e quebram de novo. Tios, avós, amigos, nós mesmos, sempre aparece alguém com alguma novidade.

Entretanto o maior sucesso - acho que nunca uma brincadeira durou tanto - são meus antigos "carrinhos de ferro" (os velhos Matchbox). Preservados ou ralados, ocupam "a cidade", ruas que desenhei de qualquer jeito no fundo de um papelão, originalmente uma caixa de leite. A primeira juntei outra e a cidade cresceu.

Quase todos os carrinhos são ingleses, feitos entre 67 e 73. Entre carros de corrida e passeio existem muitos tanques e veículos do exército - acho que hoje não seriam considerados politicamente corretos.

Os pequenos ficam horas brincando ali. O pequeno chama as vezes "papai, vem brincááááá!" e quando dá eu vou. Quando não dá observo de longe e fico todo bobo.

(clique na foto para ver as ruelas e carrinhos ampliados)

Argentina 0 x 0 Holanda


O jogo de hoje foi meio chato, diria decepcionante. Maaaaasssss...

Sempre há um "mas". Lembrou um Argentina e Holanda que assistimos, eu e Ludmilla, em Holambra, pequena cidade perto de Campinas formada por descendentes de holandeses. Sempre que podemos passamos por lá: pequena, pacata, restaurantes bons...

1998, quartas-de-finais, estávamos no Madurodam, restaurante típico, cercados de holandeses (e holandesas) com bandeiras, camisetas e todo aparato (des)necessário para assistir a um jogo de copa do mundo.

EVIDENTEMENTE torcíamos contra los hermanos. 1 a 1, aos 48 do segundo tempo sai o gol da vitória holandesa. Claro que você se sente nascido em Amsterdam.

A gritaria e a cervejalhada depois foi parecida com a brasileira só que cor de abóbora.

Tuesday, June 20, 2006

Finalmente acabei ...

...de ler Contos do Don! Pensava em fazer um nostálgico passeio pelas estepes e me estepei, digo, estrepei (não resisti ao trocadilho). O tal Cholocov (sempre me dá vontade de escrever chocolatov) usa pequenas aldeias russas dos idos de 1917 como fundo para narrar o choque entre os recém dominantes comunistas e os inconformados cossacos. E para fazer uma enorme propaganda bolchevique.

Resumindo: não tem um "conto do Don" onde alguém não morra a golpes de sabre.

Interessante mas conturbado. Passemos ao próximo.

Monday, June 19, 2006

Brasil 2 x 0 Austrália


Quando vi o Ronaldo Fenômeno de Marketing na entrada da área dos australianos dando aquela típica chupada nos próprios dentes que dá sempre que vai chutar a gol e furando bizonhamente me entreguei a desconfiança geral de que quem morreu de verdade foi o Ronaldo Nazário, centroavante, e quem está jogando com a 9 é o Bussunda.

Porque a culpa de tanta irritação com a seleção é nossa: esperamos espetáculo esportivo mas eles se esforçam para nos presentear com um espetáculo humorístico.

Somos uma platéia ingrata...

Friday, June 16, 2006

Chiques e famosos

Ontem eu e Ludmilla recebemos o casal Aero-Willys, amigos de anos - quase 20. Tanto nós quanto eles batalhamos duro para nos manter na classe média. As vezes o pé escapa aqui, a mão escorrega dali, mas estamos conseguindo.

Pra variar decidimos ser chiques: colocar em prática o alquímico e mirabolante plano de fazer em casa um fondue de queijo sem ser de caixinha. Os estudos culinários e principalmente os financeiros foram intensos. Após semanas de pesquisas marcamos para ontem.

O mais legal foi anteontem: eu, incumbido de comprar os queijos, penteei a vasta cabeleira e caminhei um quarteirão até o Palácio dos Queijos. Uau! Com esse nome deviam estar todos lá: estepes, gorgonzolas e parmentinos. Entrei e dei boa tarde para a funcionária:" vocês tem queijo tipo gruyere? Para fondue"

Ela vacilou. Daí tirou do balcão um camembert que parecia estar ali a anos. E acrescentou uma caixa do fondue de queijo em caixinha - o famoso requeijão quente. Agradeci e fui até o Carrefour.

Ali, enquanto o povão se aglomerava no balcão pedindo queijo prato a 8,90 eu examinava como um conhecedor profundo fatias de gouda e ementhal. Fiz uma seleção magnifique e, me achando o máximo, rumei para a seção de vinhos. Um branco seco argentino no carrinho, fui em estado de glória para o caixa. Provavelmente abririam caminho para mim e a caixa me olharia espantada: "entre outros meros mortais que compram goibada e sabão e pó Tixan tenho o prazer de atender esse homem que comprou ingredientes tão finos..."

Tive que pegar a fila quilométrica. Uns 20 minutos depois o placar eletrônico me envia ao caixa 45 onde uma operadora com o olhar do garfield me espera. Tiro as coisas do carrinho e dou boa tarde. Em lugar de responder ela diz, com os olhos caidos:
- O sr. pode puxar o carrinho?
Puxei o carrinho. Ela passa os queijos no leitor como quem passa solas de sapato.
- "trinta e quatro e sessenta e cinco", resmunga.
Com a confusão da fila, a "exaustão mental" na escolha dos queijos, o supermercado lotado, a busca pelos centavos para facilitar o troco me atrapalho e entrego R$30,65. Ela me olha como se eu fosse a coisa mais ridícula do mundo. Os olhos caidos quase até o pé, a boca se movendo por baixo:
-"TRINTA E QUATRO e sessenta e cinco".
-"Ah, desculpe", dei mais 10.
Depois de afastar as minhas compras com o braço aperta o botão e convoca a próxima vítima, digo, cliente. Embalo os queijos e o vinho nas sacolas e saio caminhando rápido, repassando a receita do fondue na cabeça. Tentando resgatar a dignidade.

Reminiscências em tempos de copa

No jogo contra a Croácia os pequenos Bandini se vestiram a caráter (camisas do Brasil - piratas obviamente) empunharam bandeiras (mais usadas para bater um no outro do que para torcer), enfim, sentiram o que é ser brasileiro no país do futebol.

Com 2 anos e meio duvido que se lembrem de alguma coisa no futuro mas se divertiram. Observando a torcida jovem fiquei buscando a primeira lembrança de copas do mundo que tenho.

1978, Brasil 1 x 1 Suécia, primeiro jogo no mundial. Não sei porque eu, com 8 anos, estava assistindo o jogo sozinho. Meus pais deviam estar trabalhando, talvez a copa não parasse tudo como hoje em dia. A tv, 14 polegadas preto e branca, nesta mesma saleta que ocupo agora com o computador. Aos 45 do segundo tempo o Brasil cobra um escanteio e Zico marca o gol que daria a vitória. Assistindo ao jogo sentado no chão levantei para comemorar e bati a cabeça numa escrivaninha. Além da ridícula sensação da pancada ainda tive de ver o juiz anulando o gol - havia apitado o final do jogo enquanto a bola estava no ar, entre a cobraça de escanteio e o Zico.

Tempos que agora parecem tão distantes que me vem a mente desbotados. As imagens que ficaram parecem vazias, com pouca gente, pouco movimento.

Me faz pensar que os pequenos Bandini provavelmente não se lembrarão de nada do que lhes aconteceu até hoje, nem do que lhes acontecerá nos próximos 2 ou 3 anos. Talvez seja bom. Não vão lembrar dos momentos de impaciência quando, desesperados, eu ou Ludmilla gritamos "pelo amor de Deus, PAAAAREEEM".

Também não vão lembrar do Ronaldinho Gorducho rolando em campo, do Parreira achando vitória de 1 a 0 goleada e do Gagálo (alguém tem certeza de que o Gagálo ainda está vivo?) inventando uma nova superstição.

Aaaaaah, falando nisso : "gordo inoperante" tem 13 letras!!!!!!!!

Saudades do Felipão

O texto do post abaixo é de America, do Luis Fernando Veríssimo. Escrito durante a copa de 94 muita coisa parece que volta a acontecer nesta. Parreira e Zagalo. O futebol feio. O desânimo.

Naquela copa o Brasil conseguiu ser campeão com boa parte da torcida irritada mesmo depois do título. Foi constrangedor. Ou, como descreve muito melhor Veríssimo, "uma vitória que deixou os brasileiros ao mesmo tempo eufóricos e ressentidos".

Já vi isso antes...


“Quando Bebeto fez o segundo gol do Brasil Parreira e Zagalo se entreolharam, preocupados. As coisas não estava indo conforme o planejado. Dois a zero era demais. Se não se cuidassem os brasileiros fariam três, talvez até quatro. O Brasil estava seriamente ameaçado de ganhar da Holanda com facilidade. Era preciso fazer alguma coisa.

Parreira pensou no que podia fazer. Tirar Taffarel e botar Cafu no gol. Instruir Romário a beliscar a bunda do juiz forçando uma expulsão. Qualquer coisa para evitar que a seleção ganhasse com folga e deixasse o Brasil despreocupado. Porque é necessário que o Brasil fique preocupado até o fim. É preciso ganhar a semifinal com um gol no último minuto em posição duvidosa. “


“ O Brasil, segundo o planejado, precisa ganhar esta copa com as calças na mão e o coração na outra. Porque esta não será apenas um copa, será uma catarse nacional. Será um teste de nervos e caráter. Qualquer jogo fácil é um furo no estratagema de nos fazer penar. Estou convicto de que Parreira se engajou numa cruzada moral para salvar nossa alma e purgá-la pela preocupação. Purgá-la da arrogância e da soberba, purgá-la da pretensão de que toda copa do mundo é nossa antes de começar.”

“Existem derrotas humilhantes. O Brasil busca uma vitória humilhadora. Temos que ganhar ali, ali, senão não será uma educação e rito, será apenas futebol."

my game is fair play


Não sei o que é. Os sintomas são uma moleza para pensar - se fosse física seria normal, minha velha amiga preguiça - , o olhar perdido e uma impaciência sem causa. O diagnóstico sugerido é ressaca de Copa do Mundo. Ainda não acabou, na verdade está começando, mas a sequencia de jogos está me deixando sorumbático. Você ainda está tentando se interar dos jogos de ontem e os de hoje já começaram. De repente vem a notícia:"mataram o presidente" (já imaginou?). "E dai? Só me diz quanto foi Coréia do Sul e Togo". Parece que as outras coisas perdem a importância.

Que me importa a cotação do dólar tendo aquele chupeta de baleia como camisa 9????

Tuesday, June 13, 2006

Brasil 1 x 0 Croácia


A seleção infelizmente estreou na Copa e mostrou aquele futebolzinho a la Parreira. Igual a da Copa de 94. Vitórias por 1 a 0, jogos feios. Terrível. É bom acostumar. E depois ouvir o Zagallo dizendo que a gente tem que engoli-lo. Argh!!

Se passar na primeira fase e jogar assim contra Itália ou República Tcheca, duas belas seleções, babau. Ainda mais que temos um jogador a menos até os 20 do segundo tempo, quando o Quico admite substituições. Até lá fica aquela bolota rolando de um lado para o outro do gramado, atrapalhando o ataque e ignorando a defesa. E não estou falando da bola.

Boto a camisa amarela, pego a bandeira e torço. Mas enxergo.

Na foto vemos nosso camisa 9 treinando duro na concentração na Suiça. Por isso que chegou em forma na Alemanha...

Aliás a Globo inventou aquele clipe da seleção com a música Epitáfio, dos Titãs. Podiam mudar a letra agora em homenagem a um dos lados do "quadrado mágico":

"Devia ter treinado mais
Ter suado mais
Queimado a banha até o sol nascer

Devia ter comido menos
e até errado menos
ter feito a dieta que devia fazer

Queria ter aceitado
as bolhas como elas são
cada um sabe a barriga
que carrega dentro do calção

A bola vai me escapar
enquanto eu rolar distraido
A bola vai passar batida
enquanto eu rolar... "

Friday, June 09, 2006

Frases

Lendo um post no Idéias ao Vento ("Blog goals? Why blogging?") surgiu nos comentários uma comparação entre escrever por dinheiro ou pelo conteúdo. Lembrou uma frase do ACM que li no livrinho As Armadilhas do Poder - Bastidores da Imprensa - do Gilberto Dimenstein: "Há dois tipos de jornalistas: os que gostam de dinheiro e os que gostam de informação. Nunca se deve dar dinheiro aos que gostam de informação. Nem informação aos que gostam de dinheiro."

Outra frase do livrinho que achei interessante, famosa:"Em política o que vale é a versão e não os fatos". Aqui diz que é de José Maria Alckmin, aqui diz que é de Ulisses Guimarães. Seja de quem for é verdade.

Outra, atribuida a Tancredo, reflete um modo de agir diante de fatos inesperados: "vamos deixar as ondas baterem e analisar a espuma".

A velha e boa birra


Não bastasse gostar de cerveja naturalmente - dizem que está no sangue - ainda tenho que aguentar a TV mostrando a Alemanha recheada de canecas gigantes do líquido. E pra piorar chegam os ingleses - espero (mas duvido) que comportados - sempre com latinhas nas mãos...

Ô, copinha boa pra encher o copinho...

Bilhete de um menino de 7 anos

Gosto de juntar tralhas principalmente referentes a família. Remexendo uns papéis antigos encontrei este texto escrito com letra de criança:

Pedro é um bobo
E mamãe é linda
E George é bonito
E Edília é boba que nem Pedro
E Daisy é engraçada
E Valeska é feia
E Ercília não sabe fazer problemas
E Marta é provocadeira
E Giselda é comedeira de melado
E John é casado com mamãe

27 de outubro de 1927

John
e mamãe costurando
quinta-feira
7 horas da noite.

George era o pai do menino e faleceu em 1921. Pedro, motorista da família, faleceu na década de 50. Dentre as meninas, irmãs do menino, apenas a que não sabe fazer problemas e a feia estão vivas, com mais de 90 anos.

O menino faceleu em 2002, com 81 anos, e era meu pai.

As vezes a gente esquece como o tempo passa.

Tuesday, June 06, 2006

Trocando os pés pelas bolhas


Esta é a Mercurial Vapor III, da Nike. Fabricada artesanalmente na Itália e pesando o mesmo que uma sapatilha de atletismo (uma fração acima dos 200 gramas), é a chuteira mais avançada feita até hoje. Foram gastos mais de dois anos de design, desenvolvimento e pesquisa sobre como impulsionar a velocidade de um jogador ao maximizar a aceleração. No Brasil custa apenas R$599,00 o par.

É, mas parece que esqueceram de especificar o peso do jogador. Poderia estar escrito na chuteira: Atenção: excesso de peso poderá acarretar bolhas nos pés.

Falar em Fenômeno, no programa de esportes da Record domingo a noite zoaram a vontade com o dito cujo. A ponto de dizer que com ele no time não existe o quadrado mágico e sim um triângulo e um círculo.

Háháhá, boa essa.

(aqui o embaraço do marketing da Nike)

Number of the beast


Hoje é 6/6/6 (novidade...), o popular meiameiameia. Li no Terra que a cidade de Hell, nos EUA (só podia ser) promove a Festa no Inferno. Na entrada do parque de diversões, os portões do demo: "três metros de altura e parecem que estão em chamas. Quando fechados, parecem a cabeça do diabo". Eu, hein.

Acho que no Brasil não tem nenhuma cidade chamada Inferno embora algumas pudessem se candidatar a um evento desse gênero. Brasília, por exemplo: a quantidade de coisas que sai de lá e infernizam o país inteiro justificaria.

Pegue o amendoim

Falando em propaganda na internet, adorei o banner da Nova Schin na Gazeta Esportiva. Vale a pena ir lá e pegar o amendoim. (depende do horário de acesso, quando vi estava de manhã. Vou ver se encontro o swf)

Monday, June 05, 2006

1 ano !


Li uma vez no Idéias ao Vento que 1 blog é criado por segundo no mundo mas que apenas 55% continuam ativos após 3 meses. Comecei este há exatamente 1 ano quando estava vagando, entediado, pela internet. Não pensei em nome nem assunto nem nada, foi impulso.
Então é bom, por mais bobagens que tenha escrito, chegar até aqui e notar quanto me diverti escrevendo e lendo outros blogs, comentando e recebendo comentários, encontrando músicas, textos e boas idéias através desta convivência virtual.

Um abração especial no Rodrigo do Idéias ao Vento, a Ju do Respira, ao "meu anfitrião" do Verberróide, ao abutre Vetustus, a Julia Debasse, e ao pessoal de além-mar, lenca do Ler Devagar e Nuno do Zoom! É uma delícia encontrar a diversidade de estilos, as formas tão interessantes de ver o mundo. Vocês fazem parte, querendo ou não, de meu cotidiano. Outro abraço ao pessoal de Santos, Ludmilla e pequenos Bandini, velho amigo Capi, sra.Aero-Willys, casal Gafanhotão e casal R.

Agora, quando eu chegar no 3: uuummmm, doooois e..."parabéns pra você...!"

Dúvida que não me deixa dormir





Se o fogão se chama fogão a geladeira não deveria se chamar gelão?

Nada para fazer em casa

Nesse prende e solta da Richthofen surgem uns desocupados na frente de delegacias e fóruns
gritando "assassina! assassina!". Ela é. Mas ficar gritando vai torná-la mais assassina ou aumentar sua pena?
Daí um repórter foi entrevistar uma senhorinha que gritava "assassina" enquanto batia fotos.
-O que trouxe a senhora aqui?
"O ônibus", poderia ter dito, mas respondeu:
-Eu sou de Bauru e vou voltar pra lá hoje. Sabe, todo mundo lá odeia muito ela".
-E a senhora está tirando fotos?
"Não, estou vigiando o macaco que mora dentro desta caixinha", mas disse:
-É, eu quero levar uma foto dela pra mostrar pra todo mundo lá. Ela é horrível.

O ser humano, esse mistério da natureza.

Crer ou não crer


Sou chato quando defendo idéias que acredito. O problema é que as vezes ficava tão chato que conversas se tornavam discussões, guerras de argumentos (não é mesmo sr e sra. Aero-Willys?) Claro que qualquer exagero é negativo por isso mudei o foco de pensamento. Afinal, quem pode ter certeza absoluta de alguma coisa?

Deus existe? Não posso dizer que sim mas que possivelmente sim. A resposta seria que acredito em Deus 99,5% e é claro que esse valor pode aumentar ou diminuir com o tempo.

Na revista Science um artigo afirmava que em 2020 ou 2030 o degelo das calotas polares fará o nível do mar subir e os litorais - inclusive aqui onde minha carcaça se encontra - serão submersos. (buuuuuu!). Já um estudo japonês afirmava que a emissão de poluentes está diminuindo, que a partir de 2020 a camada de ozônio começará a se recompor e em 2050 estará completamente fechada, evitando o degelo e a invasão de peixinhos nadando em minha sala de estar. Vai ou não vai acontecer? Acho que pode mas chuto 30% de chance.

Só para dizer que não é uma questão de crença, é uma questão de probabilidade.

Nomes diferentes ao mesmo boi


Li na Folha que a operadora de tv a cabo que assinamos vai disponibilizar mais dois canais para quem tem planos "master" ou "advanced". Como o nosso é o básico me considerei descartado.
Encontrei a nota fiscal de serviços do último mês e estava lá: plano "master conforto". Mudaram de nome e nem tinha visto.

Uau!, Master Conforto é bem melhor que básico!! Pena que são a mesma coisa.

Friday, June 02, 2006

Ah, publicitários...

Outra palestra, Criatividade na Mídia, propaganda na internet e meios interativos. Um rapaz do Yahoo e uma moça de uma grande agência de publicidade de São Paulo. O cara, tranquilão. A moça nem tanto. Agitada, falava grosso, quase agressivamente.

Avisou:”o profissional que não se atualizar vai acabar tendo como gerente alguém de 24 anos” e, com as mãos espalmadas, apontava para si própria. Segundo ela, o coitado ainda passaria o resto da vida “fazendo xiszinho”. Na terceira vez que usou essa expressão alguém da platéia, formada por alunos de diversos cursos, perguntou “o que é fazer xiszinho”? A gerente aos 24 fuzilou o cara com os olhos: “você quer saber? Eu te conto o que é fazer xiszinho, menino”. Nisso tocou um celular. Pronto, virou bicho:”você quer que eu atenda? Se quiser eu desço aí e atendo, vou adorar”. Claro que o burburinho correu o auditório.

Uma pena que tive de ir embora, queria ter visto no que ia dar. No dia seguinte os alunos resumiram a palestra em três pontos: Um, foi muito interessante. Dois, a mulher “se achava” a dona da cocada preta. Três, esse pessoal de publicidade é esquisito assim mesmo.

...notícias de todos quero saber

No auditório da faculdade aguardando outra palestra, tocam no meu ombro:
- Professor Bandini?
Dei de cara com um rapaz calvo, de barba e bigode.
-Isso.
-Tá me reconhecendo?
-Não.
-O Xum.

Xum: Xumbrega, apelido dos tempos de colegial. Dei aulas para ele entre 95 e 97, um garoto de cabelos loiros e compridos que só andava com camisetas pretas de bandas de rock e vivia se metendo em confusões. O pai morava em São Paulo e quase não aparecia. A mãe casou de novo e sumiu do mapa. O moleque ficou morando com a avó.

As vezes tomávamos umas cervejas, garoto legal, engraçado. Quando se formou no técnico a avó estava em fase terminal de câncer e lembro de ter pensado que caminho ele tomaria.
Quase 10 anos depois fiquei sabendo: foi morar em São Paulo, começou uma faculdade, parou para trabalhar, voltou a Santos e está fazendo publicidade. Contei que casei e tive gêmeos, marcamos de tomar umas cervejas quando der.

Daí a palestra começou.

Meus bons amigos, onde estão...

Amiga de infância, não via há uns 10 anos. Meio xarope, meio patricinha, meio mimada (mas aí já são três metades...), filha única que nunca tinha tempo porque fazia balé-piano-inglês-francês e trinta horas de academia. Apesar disso conversávamos muito, íamos ao cinema. Queria passar a lua-de-mel no Tahiti e tinha orgulho da mãe que, segundo ela, já tinha comprado roupas em todas as butiques chiques da cidade.

Apareceu outro dia na coluna social, as bochechas um pouco caídas junto com um cara uns 20 anos mais velho: “Em party animadíssima os pombinhos fulano e fulana (ela) recepcionaram os convidados de seu casamento e em seguida partiram para romântica honeymoon no Tahiti”.

Ludmilla viu a foto e perguntou: “quem é esse, o pai dela?” Não, era o noivo.
Pelo menos a viagem ao Tahiti ela conseguiu.

Thursday, June 01, 2006

Pedido


O pequeno Bandini pediu:"papai, quero dar uma flor pra mamãe". No outono é ruim de encontrar mas fomos ao quintal. O resultado foi bom.

10 coisas que odeio atualmente


- mosquitos

- qualquer livro do Paulo Coelho

- comercial da promoção DáDáDá da Pepsi e do Guaraná Antarctica

- ouvir no rádio e na TV que se não me converter logo o Sr.Jesus vai me mandar para o fundo do poço

- ataque de espirros

- ver os jogadores da seleção tratados como bibelôs ("ai meu Deus!, ele pôs a mão na coxa!!")

- todas as novelas, em todos os horários e canais

- barzinho com música tão alta que não dá para conversar; pior se tiver videokê; pior ainda se tiver videokê com cobrança de couvert artístico.

- o executivo, o legislativo e o judiciário

- ouvir na TV ou no rádio "e agora o novo SUUUUCESSSSSSOOOOO" e em seguida tocar outra bomba igual as de sempre

Aviso: sujeito a alterações sem aviso prévio

obs.: sim, podem incluir "odeio blogs com listas idiotas"

O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
GeoURL blog search directory Divulgue o seu blog!
ISBN: Internet Blog Serial Number 20-112-003-11